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'Sapucaí não é a Broadway' -
O carnavalesco Max Lopes é o novo integrante da equipe da Porto da Pedra. O convite, feito pelo presidente da agremiação vermelha-e-branca, Uberlan Oliveira, foi prontamente aceito por ele. Lopes contou em entrevista a O FLUMINENSE que recusou propostas de várias escolas porque queria participar no Carnaval 2009 na escola de São Gonçalo. Sua saída da Mangueira, que este ano obteve seu pior resultado desde o Carnaval de 1994, já era esperada. Em nota, a escola afirmou que tudo foi feito de forma amigável. Max Lopes começou sua carreira na década de 70 e em 1984 conquistou seu primeiro título na Mangueira, com o enredo "Yes, Nós Temos Braguinha". Depois, conquistou mais dois campeonatos no Grupo Especial. Hoje é reconhecido por sua criatividade e inovação e é ainda o único a obter a comenda maior de Imortal da Academia de Belas Artes.
O FLUMINENSE – Você é conhecido como "Mago das cores", mas é assim mesmo que você se identifica?
MAX LOPES – Essa história de que eu sou o "Mago das cores" começou na Mangueira, quando a gente fez um enredo sobre o Braguinha. Eu mudei as tonalidades de verde-e-rosa que a escola tradicionalmente usava e começaram a dizer que eu era um gênio, e daí surgiu esse apelido. Mas eu me identifico com o estilo barroco porque é muito rebuscado. Até minha casa eu decorei toda neste estilo. Ele tem muito detalhe, muito acabamento.
O FLU – Como você analisa o Carnaval que tem sido feito atualmente?
MAX – Eu sou muito tradicionalista, até mesmo na minha proposta artística. Eu acho que o Carnaval não pode fugir desse esquema do samba. Hoje, tem muito efeito especial, muita tecnologia, mas eu tenho medo que transformem o desfile de Carnaval em uma apresentação da Broadway. O povo e o turista querem ver exatamente o que é diferente de lá. Na busca por inovação e ousadia, acho que estão esquecendo que o samba é a marca brasileira.
O FLU – Qual a sua motivação para fazer Carnaval?
MAX – Eu sou uma pessoa muito espiritualizada. Tudo o que eu faço é em função do coração. Eu procuro passar um pouco de beleza e alegria para um povo tão sofrido. Essa é uma das poucas coisas que o Brasil tem para mostrar de belo. É a maior festa popular do mundo.
O FLU – Trabalhar na Mangueira, durante esta fase tão turbulenta, influenciou seu trabalho?
MAX – Muito, porque você trabalha um pouco tenso, não tem muita liberdade. Este ano, nós voltamos àquela Mangueira tradicional, antiga, e isso talvez tenha pesado um pouco. Mas não sei se esses fatos também influenciaram o resultado. Eu acredito que sim, em todos os níveis. Até nos próprios componentes.
O FLU – Como é lidar com o troca-troca de escola?
MAX – Eu sou meio cigano. Eu gosto de mudanças de vez em quando. A gente muda de roupa, de mulher, de homem, de casa. Por que não mudar de escola? Ficando muitos anos no mesmo lugar, você acaba se repetindo. Todo mundo encara minha ida para a Porto da Pedra como um grande desafio, mas eu não vejo desta maneira. A escola tem um grande chão, um povo delirantemente apaixonado, muito emotivo. E eu e minha equipe vamos tentar fortificar ao máximo a escola.
O FLU – Você já se sentiu injustiçado em algum campeonato?
MAX – Várias vezes. Mas a minha concepção é puramente artística, eu não tenho idéia de como foi a harmonia, a bateria, o desfile. Com "Os dez mandamentos" acho que deveríamos ter sido campeões (em 2003 ficou com a segunda colocação) e "A seiva da vida" deveria ter ficado em uma colocação melhor (com esse enredo em 2001, a escola terminou em terceiro lugar).
O FLU – Como surgiu o convite para fazer parte da Porto da Pedra?
MAX – Eu recebi o convite do presidente por telefone e o chamei para conversar. Fui convidado por outras escolas, mas queria falar com o Uberlan. Eu não me preocupei com condição financeira. Eu tive vontade de fazer a Porto da Pedra.
O FLU – O que você pretende trazer para esta escola?
MAX – Eu quero mostrar que a Porto da Pedra não é uma escola de porte médio, nem de porte menor, porque ela está entre as grandes. Nós queremos colocá-la grande também.
O FLU – A agremiação de São Gonçalo ainda não conseguiu o título de campeã do Grupo Especial. Na sua opinião, o que falta?
MAX – Acho que falta auto-estima. Os componentes, quando se vestem, não podem pensar: eu vou fazer tudo para não descer, mas sim: eu vou disputar o Carnaval. Esse é um fator psicológico independente da concepção artística. Na minha apresentação à comunidade, eu pedi que todos na quadra dessem as mãos e nós gritamos três vivas para Porto da Pedra. Muita gente ficou emocionada, chorando, teve muitos fogos, aquilo já foi uma virada.
O FLU – O que nos aguarda no próximo Carnaval?
MAX – Nós ainda vamos sentar para conversar. Eu estou tentando ajudar a escola, mas nada está resolvido. Mas podem esperar que ela virá para a briga. Não posso dizer que ela vai ganhar, mas vou fazer tudo para colocá-la entre as campeãs.
Fonte o Fluminense
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